PostHeaderIcon Belém vive mais um Círio de Nazaré

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Neste domingo (9), acontece a edição 2011 do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, momento tão aguardado pelo povo católico paraense, traduzido em forma de uma romaria, composta por cerca de dois milhões de pessoas. A procissão começou por volta de 6h35, logo após a tradicional missa celebrada pelo Arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira, em um palanque montado em frente à Catedral da Sé, no bairro da Cidade Velha.

A Imagem da Virgem percorre cerca de 3,6 Km de distância, com a chegada prevista, inicialmente, para 12h, na Praça Santuário de Nazaré. O Círio não reúne somente quem mora no Pará, mas também fiéis vindos de outros Estados e até países. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos do Pará (Dieese-PA), o número de romeiros que participam do Círio cresce a cada ano.

Em todo trajeto da romaria, várias homenagens são prestadas à Imagem Peregrina, além das centenas de promesseiros, que imprimem uma mistura de esforço, fé, emoção e esperança, em diferentes manifestações de agradecimento às graças recebidas.  Ruas, casa, empresas e pontos turísticos de Belém também se enfeitam para saudar a passagem da berlinda.

Como representação de alguns milagres, são levados no Círio carros onde os romeiros depositam seus objetos de promessas que carregam durante a procissão. Ao todos são 13 carros: Carro de Plácido, Barca dos Escoteiros, Barca Nova, quatro Carros dos Anjos, Cesto de Promessas, Barca com Velas, Barca Portuguesa, Barca com Remos, Carro Dom Fuas e Carro da Santíssima Trindade. Os objetos depositados nos Carros do Círio vão para o museu existente na Casa de Plácido, outros ficam expostos no Museu do Círio. Os que quebram e não podem ser preservados são vendidos às empresas de cera e o valor recolhido é destinado às Obras Sociais de Nazaré.

A grande procissão sai da Igreja da Sé, passando pela Praça do Relógio, em seguida pelas avenidas Portugal, Boulevard Castilho França, Presidente Vargas e Nazaré, até chegar na Praça Santuário. Após a romaria do Círio, a Imagem da Virgem fica exposta no altar da Praça Santuário para a visita dos fiéis, durante os 15 dias da quadra nazarena.

A corda

Dentro da berlinda, a Imagem Peregrina é puxada por um dos principais ícones do Círio, a corda, conduzida por promesseiros. Em 2011, a corda possui 400 m de extensão e a estimativa é de que ela seja puxada por cerca de 7.600 promesseiros.

Este símbolo foi inserido no Círio em 1855, quando foi necessário desatolar a berlinda porque a feira do Ver-o-Peso ficou inundada, em decorrência de uma forte chuva.  Em 1885, a corda foi introduzida oficialmente na procissão, tornado-se a mais forte representação da devoção mariana nesta romaria.

Com o intuito de buscar maior agilidade no percurso das procissões da Transladação e do Círio, e com a perspectiva da corda chegar atrelada a Berlinda, desde o Círio 2004 a Diretoria da Festa de Nazaré alterou o formato da Corda nestas procissões, que deixou de ser em forma de “U” para ser linear. Na Trasladação e Círio de 2011, a Corda continua sendo dividida em núcleos (da cabeça e da berlinda) e estações (são cinco, ao todo). O núcleo da cabeça tem 11 metros e comporta 92 pessoas. Cada estação comporta  48 promesseiros.

Neste Círio, a Diretoria da Festa junto a Arquidiocese de Belém lançaram uma campanha que pretende evitar o corte antecipado da corda do Círio e da Trasladação. A campanha foi motivada para evitar possíveis acidentes durante as procissões e pela necessidade de manter vivo este símbolo tão importante da devoção. Diferente dos anos anteriores, esse ano o arcebispo fará a benção da corda somente na Avenida Nazaré e não na saída da procissão. Após esse momento, a própria Guarda de Nazaré fará o corte e entregará aos fiéis.

Durante o Círio, agentes da Polícia Civil e Militar, além dos Guardas de Nazaré, estarão o tempo todo em alerta para identificar pessoas suspeitas durante o trajeto. Quem for flagrado com faca durante a procissão será detido e responderá por porte de arma branca.

História de fé

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré remonta ao início da colonização portuguesa. O termo 'Círio' vem da palavra latina "cereus", que significa vela ou tocha grande. Por ser a principal oferta dos fiéis nas procissões em Portugal, com o tempo, o termo passou a ser sinônimo da procissão de Nazaré, em Belém do Pará e em cidades do interior do Estado.

No ano de 2004, aconteceu o maior Círio da História, com duração de 9 horas e 15 minutos. Neste mesmo ano, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré foi registrado, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como patrimônio cultural de natureza imaterial.

Diário Online, com informações oficiais da Festa de Nazaré

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